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BRASIL, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Inuktitut, vejo a vida com o velho Jack Daniel's




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Toca do JENS


Ira santa

 

 O jornalista Fausto Wolff, que se recupera de um grave problema de saúde (arriba, mestre!), costuma dizer que não podemos nunca deixar de nos estarrecer diante das injustiças do mundo, sob pena de perdermos nossa humanidade.

No entanto, são tantas as mazelas, são tantas as chagas sociais, que por vezes é preciso deixar a indignação em segundo plano, para preservar a sanidade mental.

Apesar da fome que mata milhões de pessoas, quando existe abundância de comida no planeta (leia o post abaixo), apesar da roubalheira generalizada que existe em nosso país (como provam semanalmente as operações da Polícia Federal) é preciso vez por outra esquecer tudo e dedicar-se as coisas boas da vida: camaradagem, amizade, amor, poesia, sonhos, fantasias, paixões...

É impossível viver em permanente estado de indignação.

Mas, como disse Drummond, não nos afastemos muito, pois, como observou Érico Veríssimo, “a escuridão só é propícia aos tiranos, ladrões e assassinos. Temos de manter a nossa luz acesa. Se não houver luz, acendamos uma vela. Se não houver vela, risquemos fósforos repetidamente para mostrar que não desertamos do nosso posto”.

Sou humano e nada do que é humano me é estranho (Terêncio).

Comigo a anatomia ficou louca: sou todo coração (Maiakovski).

Um brinde à vida e à luta. Um outro mundo é possível.

Bom findi a todos.



Escrito por Jens às 08h49
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Maravilhas contemporâneas

 

 A fome matou uma criança menor de 10 anos a cada cinco segundos no mundo em 2006. Também no ano passado, uma pessoa perdeu a vista a cada quatro minutos por falta de vitamina A. Os dados foram divulgados na quinta-feira pelo relator da ONU sobre o Direito à Alimentação, Jean Ziegler. Isso, comentou Ziegler, em um planeta que poderia alimentar normalmente, ou seja, com 2,7 mil calorias diárias, 12 bilhões de pessoas, quase o dobro da população mundial. Segundo ele, o número de vítimas da desnutrição grave e permanente aumentou em 12 milhões em apenas um ano, passando de 842 milhões, em 2005, para 854 milhões de pessoas, o que representa um de cada seis habitantes do planeta. (copiado do RS Urgente do Marco Weissheimer).

***

PQP! Dá vontade de ir embora, morar no infinito, virar constelação.

Ou fazer uma revolução.

***

A foto acima foi considerada a World Press Foto do ano 2005. Foi tirada pelo canadense Finbarr O’Reilly no dia 01 de agosto no nordeste do Niger, depois de um devastador ataque de gafanhotos que aumentou a fome que grassa entre os moradores da região.



Escrito por Jens às 19h33
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Crises nas infinitas terras

Crise na República - Em uma solenidade pública ontem o presidente Lula atrapalhou-se e derrubou sobre as calças um copo de água. Estaria bêbado, drogado, tomado pelo Exu-Caveira ou, o que é mais provável, o incidente seria mais uma prova irrefutável da incompetência de um membro da classe trabalhadora para ocupar tão alto cargo na República? Tremores e ranger de dentes perturbam os insones aldeões do Planalto Central.

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Crise no futebol - O Real Madri ainda não liberou Robinho para jogar a Copa América pela Seleção Brasileira. Hordas de torcedores exigem o rompimento de relações diplomáticas com a Espanha. O Congresso estuda a possibilidade de instalar uma CPI para investigar o assunto. Qual a participação do governo na decisão do clube madrilenho? Estaria algum parente de Lula envolvido na trama? A nação, angustiada, clama por respostas.

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Crise nos aeroportos - A ministra do Turismo, Marta Suplicy, sugeriu aos passageiros que padecem nos aeroportos com os constantes atrasos e cancelamentos dos vôos: relaxem e gozem. Ao saber da notícia, o papa Bento XVI divulgou um alerta: sem camisinha e somente para fins de procriação.

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Crise no RS - Está circulando uma campanha virtual para eleger o Cristo Redentor como uma das novas sete maravilhas do mundo. E o Laçador* reclamam, com razão, os guascas do Sul? (Sei não... Isso ainda acaba em Revolução).

* Imagem reproduzida no post abaixo.

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Crise aqui em casa – Passei o Dia dos Namorados sozinho. Snif, snif, snif...

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Crises nas hostes tricolores - Boca Juniors 3 X 0 Grêmio. Preteou o olho da gateada.



Escrito por Jens às 20h09
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Tri-legal, tchê!

 

 

Mas bah! O Chawca me mandou um meme. O assunto é o regionalismo e os eventuais entreveros interpretativos que possa causar na comunicação virtual. Ou como diz o Chawca, com mais elegância, "a proposta é mostrar algumas gírias que não são entendidas por todos podendo gerar mal entendido na Internet (principalmente em blogues)."

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Não sou a pessoa mais apropriada para abordar questão. Nasci em Porto Alegre, onde sempre vivi (a exceção de uma temporada de 1 ano e meio em Floripa). Sou um gaúcho do asfalto, pouco afeito às tradições vernaculares e comportamentais dos pampas. Só usei bombacha quando guri, não gosto de chimarrão e uma única vez montei no lombo de um cavalo.

Não se pense, porém, que sou um gaúcho renegado. Sei cantar o Hino Rio-Grandense, me emociono toda vez que ouço o Canto Alegretense, faço um bom churrasco e, como muitos conterrâneos, já acalentei o desejo de punir exemplarmente, à base de relhaços, a turma do Casseta e Planeta, que insiste em questionar a nossa reconhecida virilidade.

***

Mas deixemos de frescuras e vamos ao que interessa. Bagual dos bons não se micha por tão pouco.

Não creio que qualquer cidadão de inteligência mediana tenha dificuldade de entender o gauchês. Afinal, um bagual é um bagual em qualquer rincão do país. Assim como uma china é uma china. Ou uma chinoca. Ou, ainda, uma prenda.

***

O apego ao gauchês tem vantagens evidentes. Por exemplo, graças a ele passamos incólumes pelas várias mudanças de nome da moeda nacional operadas pela criatividade dos nossos economistas (cruzeiro, cruzado, cruzeiro real...). Aqui a moeda foi e sempre será o pila. Por exemplo: o livro mais recente do Marconi Leal custa só 25 pilas e ainda vem autografado. Uma pechincha!

Dizem que o gaúcho é conservador. Nem tanto. Uma prova de que não somos refratários às mudanças é o fato de que abrimos mão de usar a palavra bicha numa das suas definições originais. Hoje não dizemos mais, como nos meus tempos de piá: “Amanhã tenho que sair cedo e encarar a bicha do INPS”ou “A bicha do ônibus estava grande”. Bicha, para nossos pais, além de referir-se ao pessoal do terceiro (ou primeiro, segundo, sei lá...) sexo, também significava fila.

Buenas, está na hora de picar a mula. Antes, repasso o meme para o mineiro Meneau e a carioca-capixaba Yvonne. Por favor, o pingo está encilhado, mas não se sintam obrigados a montá-lo. Não fiquem abichornados se não puderem atender a minha convocação.

***

PS: No início dos anos 80 do século passado uma pesquisa concluiu que aqui no Sul se falava o Português mais correto do Brasil. De lá para cá certamente melhoramos muito. Sorry, periferia. (Não, absolutamente não é verdade que o gaúcho seja arrogante. A humildade aqui abunda).

***

Informações climáticas: desde sexta-feira está chovendo canivete. Depois da chuva, anunciam os meteorologistas, virá um frio de renguear cusco. O gaúcho, como o sertanejo, é antes de tudo um forte.

***

Se queres saber mais leia aqui, no Dicionário de Gaúcho.



Escrito por Jens às 12h31
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