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BRASIL, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Inuktitut, vejo a vida com o velho Jack Daniel's




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Toca do JENS


Monstro!

Em Porto Alegre houve um tempo muito distante, lá nos anos 60 do século passado, que o comércio fechava ao meio-dia e reabria às duas horas da tarde. Era o horário do almoço. A maioria das pessoas almoçava em casa. Eu saía do trabalho chispando, pegava o ônibus das 12h10; chegava em casa às 12h45. Às 13h15 já estava na parada para pegar o ônibus de volta junto com a turma. É, tinha uma turma que pegava o mesmo ônibus lotado todos os dias. Era um frege. Reclamávamos dos motoristas vagarosos e vibrávamos quando o coletivo de número 1 apontava na esquina. O chofer era o Alemão – que o pessoal reapelidou de Diabo Loiro. Andava sempre com o pé no fundo do acelerador e nos largava no ponto final com cinco ou mais minutos de antecedência, o que nos permitia ficar mais tempinho na Rua da Praia, em frente a Casa Masson (uma joalheria refinada, hoje substituída pelas Casas Bahia. Blearhg!), conversando fiado e observando o vaivém das beldades. O Oswaldo, que trabalhava na Masson, conheceu e iniciou o namoro com a Lílian, sua futura esposa, nestas viagens.

Às vezes eu perdia o ônibus das 13h15 e pegava o das 13h30, sem algazarra, sem a turma e com bancos disponíveis.

Numa destas ocasiões eu estava sentado no último banco, ao lado janela, quando subiu um homem. Era alto, rechonchudo, muito branco, calvície acentuada e usava óculos de lentes grossas e aro preto. Sentou ao meu lado. Sua coxa tocou na minha. Era mole e quente. Sem nenhuma razão aparente, a proximidade daquele homem me perturbava enquanto observava a paisagem e pensava na bronca que iria levar por chegar dez minutos atrasado (Seu Domingos, meu patrão, era durão. E sovina). Ele olhava fixamente para frente.

O ônibus chegou ao fim da linha. Fiz menção de levantar quando senti um toque. O homem agarrou minha perna. Sua mão era molenga, untuosa, morna, úmida. Assustado, o encarei. Tinha uma expressão obscena, doentia, depravada. Afastei a mão com um gesto brusco e levantei, atropelando-o para escapar dali.

Apressado, com o coração aos pulos, rumei para o trabalho, dividido entre o medo, o nojo, a raiva, a humilhação e a culpa.

Eu tinha apenas 13 anos.

***

Este texto faz parte da blogagem coletiva Contra a pedofilia, em defesa da inocência, uma iniciativa extremamente louvável da Luma.

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Beijos, girls. Abraços, boys.

***

Arriba!



Escrito por Jens às 00h26
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Nada a ver

 

Depois do Hal, agora foi a televisão (Gertrudes) que pifou. Justo quando estou vivendo com o orçamento apertado, vamos dizer assim, em razão de excessos pecuniários cometidos durante o final do ano, as férias e o reinado de Momo, que não me permitem nenhum gasto imprevisto. A tevê e o computador são meus mais fiéis companheiros, juntamente com o combativo Zeca, o meu poodle com alma de vira-latas. Temporariamente, substituí Gertrudes por Gervásio (o rádio), que está sendo um bravo soldado na luta tenaz que travo contra a solidão. De manhã é bom – principalmente por causa do programa da Beatriz Fagundes, o mais honesto do rádio gaúcho. À tarde é o samba de uma nota só: o grasnar contínuo das aves de rapina da direita disparando cobras, lagartos, larvas, minhocas e outros vermes contra o governo federal e a esquerda em geral. Muita lorota e pouca informação. Salvam-se os programas esportivos já no finalzinho do dia. À noite é silêncio e medo da insônia, apaziguado pela releitura de algum livro ou pela tentativa vã de decorar a lista telefônica (aliás, um método eficaz para adormecer).

***

A propósito, lembrei da musiquinha que tocava na extinta tevê Piratini quando a emissora saia do ar, nos anos 60, nos primórdios da televisão: “Não desligue não/ o defeito é nosso/ estou fazendo o que posso/ para endireitar a televisão”.

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A situação é delicada, mas nem tudo é choro e ranger de dentes: afetivamente, o velho coração guerreiro vai bem. Muito bem. Sorte no amor e azar nos negócios (por enquanto, perspectivas alvissareiras despontam no horizonte). Oremos.

***

Está nas ondas da web mais um número do vibrante mensário esportivo Marca da Cal, que faz bem para o bolso e o cérebro, possibilitando que pague minhas contas e não permitindo que fique permanentemente debruçado sobres as questões vitais para a humanidade  - Obama X Hillary, cartão de crédito do Lula X cartão de débito do Serra –, o que me levaria à loucura.

Nesta edição o must é a entrevista com o argentino Juan Loustou, dirigente de arbitragem da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Os amantes do rude esporte bretão podem ler a publicação, em PDF, clicando na imagem abaixo.

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Amanhã estarei de volta. É o dia da blogagem coletiva proposta pela Luma: Contra a pedofilia, em defesa da inocência. Quem quiser participar, comunique sua adesão clicando aqui.

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Beijos pras meninas. Abraços pros meninos.

Arriba!



Escrito por Jens às 00h12
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Em busca do ouro

O cotidiano ainda não retornou ao ritmo normal depois do Carnaval. Na verdade, desde o final das férias o meu dia-a-dia se recusa a seguir os padrões anteriormente fixados. São muitas as emoções, nem todas agradáveis: apreensão - contas atrasadas; incomodação –  perdi a porra da chave da porta do prédio, não sei como nem onde  – Ê, Deus Baco! – e ainda não consegui fazer outra. Minha ira guasca está pronta a explodir sobre o síndico e o zelador; incompreensão – o querido Chefe Simon foi para as Ilhas Canárias fazer um curso da FIFA e não deixou nenhum mimo financeiro para a sua dedicada assessoria de imprensa, tal como um vitaminado adiantamento salarial.

A vida é dura.

***

Medo ou honestidade? – Os pobres são honestos, burros ou medrosos? Vez por outra sai no jornal e na tevê: alguém encontra um monte de dinheiro e devolve para o dono. Geralmente é um gari, uma faxineira ou um contínuo que mora de aluguel, tem uma porrada de filhos e contas e precisa muito de grana. Lembro de um jardineiro que encontrou um envelope com 6 mil dólares no campo de golpe de um clube bacana aqui de Porto Alegre, o equivalente a mais de dois anos de salário. Devolveu e recebeu como agradecimento um mal-humorado “Humpft!” do dono da bufunfa (o que será que o cara fazia com essa bolada no bolso numa manhã de sábado? Hummm...). O jardineiro explicou seu gesto argumentando ser pobre mas honesto (e limpinho, presumo). Assim, poderia continuar dormindo com a consciência tranqüila. Opa!, como assim dormir tranqüilo com o aluguel atrasado e com dinheiro insuficiente para alimentar os três filhos? Acho que devolveu com medo de ser apanhado (pobre, além de tudo, é azarado). Um ano depois ganhou uma casa construída marqueteiramente pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil. Menos mal.

Eu, se achar, não devolvo porra nenhuma. Achado não é roubado. Quem pode me garantir que não seja um ato de Deus, promovendo a distribuição de renda que a elite branca e cruel se recusa a fazer? Quando a vida lhe oferecer um naco de pão não perca o apetite por questões morais.  É o que os ricos ensinam.

***

Golpe de mestre – Sexta-feira passada eu e a Mari Timm, a herdeira, assistimos novamente O Homem que Copiava, dirigido pelo gaúcho Jorge Furtado e filmado em Porto Alegre. Filmaço. Choramos no final. A Preta perguntou se eu teria coragem de passar dinheiro falso, como o personagem do filme. “Claro”, respondi sem titubear, pensando na minha atual situação financeira. Ela também. Como não temos um cartão corporativo e são nulas as nossas possibilidades de conquistar um cargo no Parlamento – já que sequer concorremos –, estamos avaliando a possibilidade de adquirir uma fotocopiadora e entrar no ramo do dinheiro falso. Aqui na zona os comerciantes ficam tão eufóricos quando vêem um cliente com uma nota de 50 que não desconfiam da sorte. Se alguma coisa sair errada, assumo a bronca integralmente. Como homem de comunicação diplomado, tenho direito à prisão especial, o que significa cela privativa, com tevê a cabo, frigobar, computador com acesso à net e comida especial, como aconteceu com um jornalista famoso aqui do Sul, que muitos anos atrás assassinou uma jovem que namorava em frente à sua casa. Se tiver um bom advogado, sequer vou preso, como o também jornalista Antonio Pimenta Neves, que matou a namorada com três tiros pelas costas e está aí, todo pimpão. Um diploma faz a diferença.

***

Esbórnia – Revoltante a farra promovida com os cartões corporativos do governo. Tanto do federal como do paulista. Faço questão citar o governo de São Paulo, que gastou R$ 108 milhões com cartões em 2007 e cuja prestação de contas não é aberta à massa ignara, porque existe uma tendência midiática em baixar a lenha unicamente no PT. Tudo bem, alguns petistas são canalhas, patifes, safados e o que mais o freguês quiser. Merecem ser excomungados, açoitados, ter os olhos vazados, as mãos decepadas e arder para sempre no fogo mais quente do inferno mais profundo. (Há quem acalente o sonho mau de exterminar a todos, indistintamente – pobres de nós). Mas o que vale para os meliantes de cá vale também para os gangsters da lá. Caso contrário a indignação se dilui nas ondas do farisaísmo. É uma indignação fake ou, sendo mais claro, politicagem pura e simples, robustecida com uma boa dose de preconceito social. Nos anos 50, Stanislaw Ponte Preta cunhou uma frase célebre: instaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos. O mesmo vale aqui: indignemo-nos com todos os escândalos ou aceitemos tudo. Eu estou puto da cara com a minha turma e a turma deles. O dinheiro que foi mal gasto tem que ser devolvido aos cofres públicos. Mas se a esbórnia continuar, a minha parte eu quero in cash.

(A propósito, está lá no Portal Transparência: o segurança de FHC encheu quatro tanques de gasolina no mesmo dia, no mesmo posto de gasolina, o Auto Posto Higienópolis, na capital paulista. Pagou com cartão corporativo do governo federal, isto é, com o nosso rico dinheirinho. Ah, se fosse o motorista do Lula...).

***

Sigam-me os bons - A Luma está propondo uma blogagem coletiva para o dia 14, sobre um tema explosivo que merece toda a nossa consideração: Contra a pedofilia, em defesa da inocência. Quem quiser participar clique aqui e comunique sua adesão. Eu vou.

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Beijos escandalizados para as moçoilas. Abraços sem adjetivos para os galalaus.

Boa semana para todos. Arriba!

Escrito por Jens às 09h01
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