Toca do JENS


De volta ao paraíso

 

Yeah! Voltei, voltei! Estou livre, livre!

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(“É, livre como uma gazela. Deixa de viadagem. Controle-se, recomponha-se, homem!” recado assinado por alguém que se intitula Bob, o botão da calça Levi’s. Impossível checar a autenticidade).

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Amigas, amigos: o sol  voltou a brilhar  (“Hummm...” comentário de Bob).

Lá e cá, quem devia pagou. Novamente, As Hostes do Bem venceram As Falanges do Mal. Zerado o placar, restabelecida a autoconfiança, bola no centro do gramado para o início de uma nova partida.

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Foram duros os 10 dias que abalaram meu reinado. Porém, deixaram preciosos ensinamentos que faço questão de revelar publicamente:

O populacho tem razão quando diz que a desgraça não vem sozinha. No meu caso, a débâcle econômica trouxe também a deterioração material, a saber: a persiana da janela da sala quebrou, o chuveiro pifou, o cano do tanque estourou. Como se não bastasse a favelização acelerada do castelo, fiquei uma manhã inteira impossibilitado transportar meu corpo belo e enxuto para fora de casa. Estragou o cadeado com que reforço a tranca da porta de ferro externa da fortaleza (aqui ninguém entra). Fui salvo pela sempre preocupada Odaléia, mais do que uma doce e prestativa vizinha – uma verdadeira santa. Por sorte, o artefato era de origem chinesa e desintegrou-se na primeira martelada.

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É possível sobreviver à base de uma dieta de sanduíches de queijo e presunto suspeitos (levemente esverdeados), acompanhados por doses regulares e generosas de sorvete e doce de leite. A reposição energética é parcial, mas suficiente para manter em funcionamento a mente privilegiada de um operário da escrita como eu.  Desaconselho enfaticamente qualquer tentativa de manter a saúde do organismo amparado unicamente na ingestão de água e bolachas salgadas. Depois das primeiras 24 horas o indivíduo tonteia e não reconhece os entes queridos.

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Não sei produzir fora do meu habitat natural. Tentei trabalhar numa lã rause. Foi impossível, ainda mais que o trabalho em questão era o fechamento do vibrante mensário Marca da Cal. A internet é minha religião, e o velho e amado Hal o meu pastor.

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A BrasilTelecom não é uma empresa deste mundo. Suspeito que o verdadeiro dono seja o Coisa Ruim em pessoa. Vade retro!

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No Brasil, política é a arte do supérfluo. Depois de 10 dias sem acompanhar o noticiário político constatei que tudo continua como dantes: o beiço de bebê chorão do Arthur Virgílio é o mesmo, o cabelo acaju do Álvaro Dias permanece ridículo e a voz do José Agripino Maia ainda irrita os ouvidos sensíveis. Acho que devíamos dispensar os serviços desta gente, fechar o Congresso e cuidar da vida. (Estranho, o período de dor e opróbrio fez aflorar uma tendência totalitária que até então eu não sabia existir).

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Coloquem a cerveja no freezer e preparem os petiscos. A partir de hoje retomo a rotina de trabalho insano e doces visitas aos amigos virtuais.

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Beijos, deusas. Abraços, leais vassalos.

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Voltei! Libertas quae sera tamem.

Arriba!

Yupi!

(“Hummm...a gazela ainda está solta”. Para todos, um abraço do Bob. Tchau).

Escrito por Jens às 23h18
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Dívidas

Estou devendo e isto me incomoda.

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Antes, uma explicação: todos os que vêm aqui (a maioria alinhada aí ao lado) são meus camaradas virtuais, a minha turma. Com personalidade e pensamento diversificados, todos, acredito, podem integrar a Confraria das Boas Garotas ou o Clube dos Bons Rapazes.

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Gosto de receber visitas e comentários. Este contato virtual é um dos bons momentos do meu cotidiano, quando de repente não estou tão só.

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Concebo as relações afetivas como uma via de duas mãos. Gosto de receber, mas também gosto de dar. Considero importante visitar os amigos e deixar um comentário carinhoso, manhoso, entusiasmado, sacana, sarcástico, provocativo ou francamente contestador, dependendo dos sentimentos que em mim despertam os textos que leio.
Quero ser lido e receber atenção (o que não significa apoio incondicional). Da mesma forma, gosto de ler e dar atenção.
Nos últimos dias, isto não tem sido possível por uma série de motivos: avareza patronal (se elogio fosse grana, eu e meu associado Moah estaríamos ricos. Infelizmente, afagos no ego não podem ser depositados no banco); incompreensão da BrasilTelecom para com as dificuldades momentâneas enfrentadas por um assinante fiel; insensibilidade do meu gerente de banco, incapaz de compreender a necessidade urgente da rolagem da dívida e da concessão de um novo empréstimo. Enfim, enfrento tempos difíceis. Um tempo sem sol. Um tempo de guerra.
Mas esta semana tudo se resolve. De um jeito ou de outro. Como se diz por aqui: perdemos no jogo, mas ganhamos no pau.

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Consternação e bebedeira na cidade. No sábado passado o Bar do Nereu fechou as portas definitivamente. Bêbados e boêmios estão inconsoláveis. Minha herdeira Mariana Timm compareceu às exequias na companhia de Alexandre, o seu Cavaleiro Andante. Até agora não retornaram ao convívio dos familiares. Acho que amanhã vou começar a me preocupar (já vivi situações semelhantes na juventude - sim, fui jovem um dia! -  e sei que só após o terceiro dia sem notícias é que os pais devem mobilizar os perdigueiros). Meu associado Moah e sua doce Laurinha, os promotores da cerimônia final, igualmente estão incomunicáveis. Os celulares não respondem.
No decorrer da semana informações mais detalhadas sobre o infausto acontecimento - a morte do Bar do Nereu.

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Hummm...O meu meio de campo começou a embolar depois da visita do Marconi Leal. Será que o nefando também é feiticeiro? Brrr... Pé de pato mangalô três vezes. Desculpa qualquer coisa aí, Marconi.

***

Beijos, princesas. Abraços, lacaios.

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A apresentação do texto está assim, diferente, porque estou escrevendo direto de uma lã rause. Coisas da vida. Sorry.



Escrito por Jens às 15h34
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