Toca do JENS


Boda

Na sexta-feira que antecedeu o feriado de Tiradentes, aconteceu aqui em POA o casamento da irmã do PAC, isto é a filha da ministra da Casa Civil Dilma Roussef. Festerê no Leopoldina Juvenil, clube chic da city.

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Confesso que, naquela semana, estava alheio ao noticiário em geral, preocupado com minha situação financeira. No entanto, ao saber do evento, fui imediatamente abrir a caixa de correspondência. Droga, só contas. Não me abalei. Otimista, julguei que o meu convite deveria estar chegando por mensageiro especial. Assim, tratei dos preparativos: agendei hora no barbeiro (guasca não vai ao cabeleireiro), aluguei uma fatiota (“Igualzinha a um Armani", me garantiu a dona do brechó), engraxei os sapatos e tomei um demorado banho de 15 minutos.

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Meu otimismo não era despropositado. Afinal, conheci a companheira ministra no tempo em que ela ainda jurava amor eterno ao PDT gaúcho. Nos anos 90, cheguei mesmo a participar de alguns eventos da campanha eleitoral do pai da noiva, o então deputado estadual Carlos Araújo. Um dos dois haveria de lembrar-se de mim. Ou então, certamente, o companheiro Lula os faria lembrar (“Festa em Porto Alegre? Convidaram o Olívio e o Jens?”).

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Estava tranqüilo até o meio da tarde, quando pressenti que havia algo errado. O convite não chegava. O mensageiro poderia ter sido raptado. Pensei em telefonar para Brasília, mas a insensibilidade da Brasil Telecom havia me deixado sem comunicação com o mundo exterior. Apreensivo, enfatiotei-me e fui tentar uma carona com um dos meus amigos cobradores de ônibus. A solidariedade da classe trabalhadora mais uma vez vingou – graças ao físico esbelto, passei com relativa facilidade por baixo da roleta, com danos mínimos ao meu traje. Ainda não tenho idade para desfrutar do passe livre para a terceira idade. Felizmente (ou o contrário, dependendo do ponto de vista).

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No centro rumei célere para a igreja. Antes parei em uma lojinha de 1,99 e comprei (fiado) uma plaquinha  de madeira onde estava talhada a frase “Meu Lar é Meu Tesouro”. Um mimo para os nubentes.

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No local havia um cinturão de segurança formado pelos homens da mui leal e valerosa Brigada Militar, que impedia o acesso da malta ignara ao templo do Senhor. Apesar dos meus argumentos (“Porra, sou camarada do Lula”, “Conheço a Dilma desde criança”) os ciosos homens da lei barraram o meu acesso. Dominado por um turbilhão de emoções contraditórias (olhos marejados e boca espumando de raiva), vi de longe a passagem dos convidados, entre os quais nove governadores (“Ô Requião, olha eu aqui!") e nove senadores. Até o Sarney estava lá (“Abaixo a Nova República”, vociferei para o prócer maranhense, lembrando os bons tempos). A ministra Dilma não ouviu os meus berros (“Ô, sua sacana, e eu?!”). O mesmo aconteceu com o presidente Lula (“Esqueceu dos velhos companheiros, seu porra?!”). Senti uma faísca de reconhecimento no olhar terno da primeira-dama Marisa quando uivei como um cão abandonado (“Ajude-me!”). Os seguranças, porém, não permitiram a aproximação redentora.

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Abatido, retornei ao castelo. Desta vez passei debaixo da roleta como uma minhoca. Nem me importei com os gracejos irônicos dos demais passageiros. Ingratidão dói.

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Mas a vingança é um prato que se come frio, ensinaram os gregos. No fim deste ano tem a festa de formatura da minha herdeira Mariana Timm. Churrascada e cervejada. Não vou convidar ninguém daquela cambada. F...-se!

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Ah sim, parcelei o aluguel do terno (100 pilas, incluindo sapatos e meias) em duas vezes. A primeira parcela vence na segunda-feira. Mandei a conta pra Dilma pagar. Com o cartão corporativo, é claro. (Depois vou telefonar pro Arthur Virgílio, só de sacanagem. Eu sou mau).

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Ganhei um mimo legal da Elo – o selinho (acima) que garante que este é um blog muito bom, sim senhora! Agradeço ruborizado e repasso-o para mais sete amigos. A Adelaide, a Crisete, a Dora, a Loba, o Ery, o Lino e o Moacy.

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(PS: tenho uma proposta para criar um selo: "Este é um blog Bagual!" Quem se habilita a fazer a arte? Não faço porque não sei).

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Beijos, deusas. Abraços, capetas.

Muita festa no findi.

Arriba!!!

Escrito por Jens às 23h40
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Saudade da Amélia

Passei o feriado de quatro.

Calma, não é preciso tirar as crianças do recinto. Não tem sacanagem. Ainda.

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Atendendo aos apelos da vizinhança e uma intimação do síndico, fui obrigado a promover uma faxina ampla, geral e irrestrita no castelo, tarefa que vinha adiando por três meses. Num evidente exagero, alegaram que a falta de limpeza na residência estava se tornando uma ameaça à saúde pública, como se algumas bolotas de poeira (que nem aquelas que aparecem nos desertos dos filmes de cowboy) e umas placas de sujeira espalhadas pelo chão pudessem causar mal a alguém. Só estavam sendo prejudicadas as eventuais moscas atraídas pelo meu desprezo a esta mania burguesa de asseio – foram todas abatidas pelas implacáveis Berta e suas irmãs (ou filhas, não sei bem o grau de parentesco entre elas). Berta é a aranha assassina a quem dou guarida desde o último verão. Gostou tanto que trouxe a família.

Porém, como sou um brasileiro cordial, atendi aos reclamos da comunidade e fui à luta, munido de vassoura, esfregão, balde, espanador, desinfetantes vários e meia garrafa de Jack Daniel’s by Paraguai. Antes, tentei convencer alguma vizinha caridosa a auxiliar-me. Não deu certo. Onde foi parar meu velho charme irresistível? Já não sou mais o mesmo (esclareço que a doce e prestativa Odaléia estava viajando).

Não vou entrar em detalhes sórdidos, mas informo que a tarefa foi bem sucedida. Não  direi que o castelo ficou um brinco, mas dá até pra comer no chão (inclusive do banheiro), se alguém cultivar este tipo de tara.

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Este é um dos poucos inconvenientes de morar sozinho, mas largamente compensado por comodidades como não precisar fechar a porta do banheiro e muito menos ter maiores cuidados ao levantar a tampa do vaso ou preocupar-se com a mira na hora de fazer o número 1. Também é legal poder andar de cueca pra lá e pra cá ou, nos dias de muito calor, trabalhar pelado. Neste caso, é importante não esquecer de fechar as cortinas ou baixar as persianas. Por causa de um lapso desta natureza, no final do verão recebi uma multa da administração do condomínio por atentado ao pudor. Quase deu polícia.

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Voltei a falar, depois de 36 horas de mudez. O telefone tocou.

- Alô, quem fala?

- O sr. Jens está?

- Quem fala?

- Aqui é Suzana, gerente do banco da praça (não vou fazer propaganda de graça pra estes usurários). Com quem estou falando?

- Hummm... herrr... aqui é o dr. Demóstenes. O Jens não mora mais aqui. Se mudou.

- Por acaso o sr. teria o seu novo endereço ou telefone?

- Não, por acaso eu não teria.  O sacripanta escafedeu-se. Também estou à sua procura. Me vendeu o apartamento com seis meses de condomínio em atraso.

- Então tá. Obrigado.

- Não por isso, benzinho.

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Já está nas ondas da web mais uma edição do Marca da Cal, a publicação que me garante os petiscos e os drinques dos finais de tarde. Esta edição traz a cobertura completa do 27º Congresso Nacional das Entidades de Árbitros de Futebol, que aconteceu em POA no final de março. Para ler, em PDF, é só clicar na imagem abaixo.

 

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Beijos, gatas. Abraços, marmanjos.

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PS: no Firefox o título tá saindo pequenininho. No Explorer tá legal. Não me perguntem a razão. Mistérios da web.

 



Escrito por Jens às 22h50
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