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BRASIL, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Inuktitut, vejo a vida com o velho Jack Daniel's




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Blogueiro em manutenção

 

Momentaneamente com defeito. Volto quando estiver sarado.

***

Enquanto isto, confiram aqui.

Beijos, abraços

Cuidem-se! (não façam como eu).



Escrito por Jens às 11h44
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O vô

- Espeeeera, Beto!

Ele olhou para trás e diminuiu o ritmo da corrida. Quando me aproximei, falou:

- Vambora, sebo nas canelas.

O Beto tinha oito anos, dois anos a mais do que eu, e era magro e ágil. O meu melhor amigo.

Além de ser mais novo, eu era mais rechonchudo, graças ao doutor Fontoura e seu biotônico, e também menos ágil (certa vez, ao escalarmos uma pedreira, por pouco não me esborrachei entre as pedras. O Beto me salvou; era magro e forte).

Corríamos com os pés descalços, as havaianas enfiadas entre os dedos da mão. Segundos antes uma voz gutural nos ameaçara:

- Vou pegar vocês!

***

A rua Mario de Andrade, em Ipanema – onde eu morava no número 159 – terminava em um mato, com árvores, arroio, banhado, pássaros, cobras e vacas que pastavam placidamente. Era o nosso parque de diversões (mais tarde seria também o nosso motel imaginário. “Vamos ali no matinho”, convidávamos. A gurias nunca foram, infelizmente). Naquela tarde de início da primavera fazíamos o costumeiro: brincar no mato. No entanto, mal ultrapassamos a cancela da cerca quando ouvimos a ameaça aterradora, vinda detrás da grande figueira:

- Vou pegar vocês!

Assim, pernas pra que te quero.

Cheguei em casa aos berros.

- Manhê, o lobisomem está atrás de mim.

Ela não acreditou. Afinal, o lobisomem só aparecia nas noites de sexta-feira de lua cheia.

A mana Rosa, cinco anos mais velha, procurou me acalmar:

- Não era lobisomem, seu bobo. Era o Monstro Negro.

Berrei mais alto. Estava prestes a me borrar.

O “Monstro Negro” era um estuprador procurado pela polícia. Naquela semana, sua foto saíra na capa da Folha da Tarde que o pai comprava todos os dias. A manchete gritava: MONSTRO NEGRO, INIMIGO PÚBLICO Nº 1. Diziam que estava homiziado nos matos da zona Sul, pronto para atacar meninas e meninos imprudentes. O bairro estava apreensivo.

Preocupada, a mãe estava tentando entender o que estava acontecendo quando ele chegou, gargalhando.

***

Era o meu avô Daniel, o pai da mãe.

Recém chegado da invernada, estava dando de comer ao Tubiano (seu cavalo) quando surgiu a oportunidade de nos pregar uma peça. Não resistiu.

O vô era assim, um sujeito alto, magro e bem humorado, que gostava de contar histórias sobre dragões, lobisomens, cobras gigantes e outros seres assustadores, que eu e minha mana escutávamos com atenção e olhos arregalados. Morava em uma peça, o quartinho, feita pelo pai nos fundos da nossa casa – uma casa grande com dois quartos, sala, varanda, cozinha e banheiro e um amplo pátio com jardim na frente e, nos fundos, duas laranjeiras, uma bergamoteira, um grande galinheiro e uma nesga de capim que servia de quarador.

Homem afeito às lides do campo, nos meses de inverno o vô trabalhava em uma fazenda para os lados de Itapuã, para onde ia conduzindo o Tubiano atrelado à carroça, escoltado pelo fiel Fumaça, mais do que um cão, seu companheiro. Na volta, trazia aipim, batatas, ovos, melado, rapadura, torresmo, lingüiça cortada à faca, queijo e galinhas para vender. Por vezes, a carroça deixava ser o que era para se transformar em uma diligência, de onde exterminávamos os malditos peles vermelhas. A primeira e única vez que andei a cavalo foi no lombo do Tubiano.

O vô morreu com 92 anos na sala de casa, convertido à religião evangélica. Eu tinha 11 anos e estava presente quando ele se foi, rezando com a D. Elvina, enquanto a mãe chorava na varanda.

Eu era o seu neto preferido – “o meu guri”.

Nunca o esqueci.

 

***

Tem novidade na web. Aqui no Nóia. Eu, se fosse você, dava uma passada lá. Aposto que vai se surpreender. Permita-se.

***

Boa semana pra todos nós.

Beijos, maravilhosas. Abraços folgazões.

Pra cima com a viga, moçada!



Escrito por Jens às 23h02
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