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BRASIL, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Inuktitut, vejo a vida com o velho Jack Daniel's




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Toca do JENS


A virada

 

Perdoem, garotas, mas hoje o assunto é futebol.

Foi uma semana aziaga. Apesar do sol, nuvens de chumbo toldaram o horizonte da arbitragem gaúcha de futebol. Estou falando do imbróglio que desabou sobre o amado Chefe Simon no decorrer da semana que se encerra. Um pequeno resumo para quem não acompanha as candentes polêmicas do rude esporte bretão: no último domingo Carlos Simon não marcou um suposto pênalti a favor do Flamengo no jogo em que este perdeu para o Cruzeiro por 3 X 2, no Mineirão. O presidente do Flamengo, Kléber Leite, caiu de pau. Envolto em um manto de ódio, iniciou uma campanha pretendendo tirar Simon da lista de candidatos à arbitragem da Copa de 2010 na África do Sul. Uma bobagem logo rechaçada pela FIFA. O Flamengo pode muito, mas não pode tudo. Não na FIFA, pelo menos.

Na esteira do dirigente rubro-negro surfaram torcedores exaltados e, também, os chacais da mídia esportiva, todos clamando por sangue. Comentaristas de arbitragem renomados abandonaram o fairplay e ingressaram na temporada de caça ao Simon. Entende-se: se for escalado para a África do Sul, como tudo indica, ele será o único árbitro brasileiro a apitar três copas do mundo. Esta possibilidade incomoda algumas vacas sagradas do mundo do futebol. Para alguns o ciúme é um aditivo a ser ingerido diariamente antes do café da manhã. Daí o mau humor, pois como se sabe, a inveja, além de má conselheira, é uma merda.

Pois bem, na tarde de quinta-feira finalmente surgiu a verdade definitiva sobre o lance. Um vídeo na web (veja aqui) mostra que não aconteceu o pênalti. Uma câmera da lateral da ESPN revela que o atacante Diego Tardelli, do Flamengo, não foi tocado pelo defensor cruzeirense Leo Fortunato. Ele literalmente pisou na bola antes de se estatelar no chão sem nenhum auxílio. Ou seja, Simon esteve sempre certo; os chacais estavam errados.

E agora? Bem, para encerrar a celeuma com dignidade, o ideal seria que os verdugos de ontem fossem os penitentes de hoje, exaltando o acerto com a mesma estridência com que apontaram o erro inexistente. Mas isto seria esperar demais da natureza de certos homens. Tudo bem. Cada um no seu quadrado; cada um com a sua consciência.

***

Ah, outra boa notícia: o melhor árbitro do campeonato brasileiro é gaúcho. Os finalistas do prêmio Craque do Brasileirão  são Carlos Simon, Leandro Vuaden e Leonardo Gaciba. Sorry, periferia.

***

Passamos a semana nos defendendo e, aos 45 do segundo tempo, marcamos o gol da virada. Foi a volta do cipó de aroeira. Isto não tem preço (mas uma gratificaçãozinha no final do ano cai bem).

Nada como um dia depois do outro. A vingança é doce.

***

Resgate da Arte

 

Neste sábado, 29, começa a exposição Resgate da Arte, reunindo desenhos da Beti Timm. Segundo o marchand e crítico de arte Zeca Paes Guedes, a mãe da Mariana Timm “é uma artista genuína e original em suas criações intuitivas, impondo o fascínio de suas superfícies volumétricas e a sensualidade onírica de suas mulheres. Sua linguagem é lírica e os climas de suas obras, fascinantes.”

Quem estiver na aldeia está convocado para dar uma chegada casa de Artes Baka, na rua de República, 189, na Cidade Baixa, a partir das 19 horas. Além de arte, vai ter petiscos e um vinho amigo. E, claro, um papo inteligente e agradável (sim, sim, eu estarei lá).

Quem puder, apareça. Quem não puder, confira o talento de Beti Timm clicando aqui.

O desenho acima é de autoria dela. Trata-se de um delírio da imaginação, pois eu não uso traje de gaúcho e aquele braço na cintura não faz parte dos meus trejeitos. Coisas de artista.

***

Beijos, gurias. Abraços, guris.

Bom findi. Arriba!



Escrito por Jens às 13h30
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Golpe de mestre

 

O Pirralho caiu de costas, levantando poeira vermelha. Viu uma nesga de céu azul antes de cruzar os braços e proteger o rosto contra uma previsível saraivada de socos.

Porém o outro, o Gigante, negaceou, desferiu um pontapé tímido, abaixou-se duas ou três vezes para dar um murro buscando atingir a cara negra do magrelo. Mas era evidente que o grandão queria lutar de pé. Talvez para preservar o que ainda fosse possível da integridade da calça azul marinho do colégio.

Ágil, o Pirralho se ergueu. Encarou a raiva nos olhos congestionados do outro. Sentiu o cheiro de medo e valentia, odor ancestral de selvagens em luta. Viu o torso sujo e brilhante de suor do inimigo. Sentiu nojo, mas percebeu que não estava com melhor aparência. Herança da queda recente, uma fina camada de poeira grudara-se na sua pele magra e escura de mulato. Por sorte, considerou, não estava com a camisa branca do uniforme.

O Gigante queria acabar logo com aquilo. Era mais forte e mais velho e deveria vencer. Ou melhor, tinha que vencer. Em nome da honra.

Duas horas antes, no recreio, deu um empurrão no piá, que obstruía sua visão do jogo de handbol das gostosas. Disse simplesmente.

- Sai da frente, filho da puta.

Nada demais. Mas o porrinha insolente queria confusão.

- Te pego na saída.

O Gigante era uma massa de 80 quilos de energia e pouca luz. Brigava bem. Achou que era brincadeira do Pirralho, um novato desconhecido recém no segundo ano do ginásio. O Gigante estava no segundo do científico e era um dos príncipes dos esportes e da valentia no colégio Padre Reus.

O Pirralho estava falando sério. Segundo o página 631 do volume 7, da Barsa (que já foi a enciclopédia mais completa planeta), ele era um dos favoritos de Oxalá, Oxum e Iemanjá, além de protegido de Exu e filho adotivo de Xangô. O moleque era rebento das matas. Não estava para brincadeira. Ansiava ser príncipe entre os homens (depois, Rei, talvez...). Queria o lugar do Gigante. Mas não de graça. Queria ganhar na rua, na praça, na mão. O bostinha queria briga. Flipper, o golfinho contra Orca, a baleia assassina. O cara grande riu.

***

A luta.

Em meia hora teve de tudo: socos, pontapés, agarrões, cuspidas, mordidas e cabeçadas. O pivete quase arrancou um naco braço do Gigante, que quase quebrou o nariz do guri com uma cabeçada.

Estavam cansados, machucados e deformados. O Pirralho estava com o olho esquerdo fechado pelo inchaço, o nariz e o lado direito da boca, também fora da dimensão normal, sangrando. O Gigante tinha o lábio inferior rasgado, um olho inchado e um corte no supercílio direito. As mãos estavam em pandarecos. Preparavam-se para a investida final.

O Gigante cerrou os punhos e mordeu os lábios fazendo o sangue escorrer.

***

A luz.

O Pirralho estava surpreso. No íntimo, não pensou que fosse agüentar tanto. Era magro, lutador e corajoso como um dos grandes, mas o Gigante era maior, mais forte e tinha boa pontaria. A dor não o incomodava, ainda. Sua preocupação imediata era com a derrota iminente. Não tinha força para resistir ao próximo ataque. Era o fim. “Perco mas não desmaio”, decidiu. Foi então que, mil vezes mais rápida que a faísca de um relâmpago, uma luz verde acendeu na sua cabeça e ele soube como vencer a batalha. Sorriu agradecido à presença dos Deuses da Mata.

Frente a frente, curvados, as pernas abertas, levemente arqueadas, fitavam-se com raiva e desejo de aniquilação mútua, quando de repente o piá transformou o pé direito em moirão e fez dele um aríete esmagador que transportou o Gigante para um universo de dor até então desconhecido. Colocou a mão entre as pernas e soltou um urro contido, rouco, profundo e assustado como o de um animal ao ser ferido de morte. Certeira, a ponta do Vulcabrás do Pirralho acertou no meio do saco do Gigante. O som seco, um sonoro e chapado ploft!, indicou à plateia que o combate estava encerrado. Ninguém poderia se levantar depois de um golpe daqueles. Um golpe de mestre. Todos tinham certeza, que fora uma luta épica, destinada a entrar para a história não oficial da escola. Um combate de titãs. Por isto, o bando fez quase 30 segundos de silêncio antes dar início às celebrações e comentários sobre o embate que haviam testemunhado.

- Porra, pegou em cheio no saco. Acho que aleijou.

- Pô, ouviu o urro? PQP!

- Bah, te lembra daquela porrada no olho?

- E aquela outra...

***

Coda.

Uma mão invisível imprimiu traços de espanto e agonia na cara do Gigante, enquanto, com a boca aberta num grito silencioso, ele caiu de joelhos antes de tombar de lado no chão da praça, inapelavelmente rendido, enroscado no próprio corpo, talvez saudoso do tempo de estadia no útero quente, quieto e seguro da mãe. As mãos tentavam inutilmente aliviar o suplício que fustigava o centro do corpo, mas só realçavam a sua fragilidade triste. A boca por fim encontrou ar para gritar o tamanho da dor e da humilhação. Depois do berro, veio o uivo e logo a seguir soluços e gemidos. Consolado por dois fiéis cavaleiros, o Gigante ouviu e imaginou, a poucos passos dali, a consagração do Pirralho nos braços da malta.

- Os hunos têm um novo príncipe - mumurou para incomprensão da reduzida assistência

Lembrou de uma revista em quadrinhos que lia quando ainda era moleque: Príncipe Valente. Fez uma careta tentando, sem sucesso, substituir a dor por um sorriso prenhe de ironia. Não conseguiu. Fechou os olhos e deixou-se desmaiar, enfim.

***

Beijos recheados de testosterona, gurias.

A gente se encontra na saída, pirralhos.



Escrito por Jens às 01h06
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Los três amigos – O Urso (1)

 

Foi no sábado retrasado, dia da Proclamação da República. O nome do evento era pomposo: Encontro do Clube dos Bons Rapazes. Anualmente a gente se reúne no final do ano para avaliar eventuais estragos existenciais, físicos e financeiros. No segundo quesito estamos bem (se alguém disser que é porque estamos conservados em álcool, vai levar um pau). Local: Cia. da Picanha, um restaurante tranqüilo e familiar na confluência da Lima e Silva com a André da Rocha – um point elegante e tranqüilo na fashion Cidade Baixa, adequado a cidadãos de ascendência nobre, como nós. Horário: 13 horas. Participantes, os remanescentes da confraria: o multimídia, mestre na produção de sons e imagens, o irrequieto Duca; o mago das artes na edição do jornalismo impresso e eletrônico, meu associado Moah; o sábio, exemplo para as gerações mais novas, Urso, editor da vibrante seção internacional de um grande diário da capital dos gaúchos. Por fim, eu, Jens, o bruxo dos teclados, o feiticeiro que desvendou o tempero secreto da sopa de letrinhas, o amado mestre, o líder inconteste e inspiração de todos. No total cerca de 200 anos de vida, experiência e esbórnia, mais da metade com tinta de impressão correndo nas veias. A Laurinha, a bela dama, queria participar. Não deu. A celebração era dos machos.

***

Fiz a besteira de chegar na hora marcada. Não tinha ninguém, é claro, e as mesas da rua estavam ocupadas. Fui para um boteco do lado, reduto de aposentados e pensionistas. Pedi uma cerveja e esperei.

Uma hora depois avistei o Duca: tênis preto, sem meias, bermuda preta, camiseta preta e óculos pretos. Cumprimentos habituais:

- E aí, seu filho da puta?

- Como vai, seu corno?

Tudo bem, como sempre.

Pediu mais uma Skol. Logo depois chegou o Moah: na cabeça, bandana preta com estrelinhas brancas, óculos, casaco, camisa de mangas longas, calças e tênis pretos. As meias eram brancas. Fazia um calor de 27° graus. Concluí que não havia ido em casa desde a noite anterior. Torci para que estivesse com uma Deusa. Afinal, alguém precisa ter sorte.

- E aí, seus porras?

- Tudo bem, seu viado?

Tudo em ordem. Pagamos e fomos à Cia. da Picanha.

***

Fizemos o pedido inicial (Skol e Jack Daniel´s caubói – “tá pensando que alguém aqui é fresco?”, disse o Duca ao garçom, recusando o gelo. “Quem gosta de água é peixe. E capricha no choro. Tudo é muito caro aqui. Um roubo”. O Duca é assim, invocado).

Começamos a cumprir a pauta.

***

O Urso.

- Falei com ele pelo bate papo do gmail. Disse que vinha – informou o Moah.

- Não vem nada – afirmou o Duca - Desde março só sai de casa de noite, para ir ao jornal. Não atende telefone e não responde emails.

- Normal. Fugindo dos credores – falei.

Ninguém discordou. Uma vez ou outra todos lançamos mão do despiste para postergar o pagamento de dívidas – eu gosto de fingir que sou a empregada gostosa do castelo. Digo, sensual: “seu Jens foi viajar sem data para voltar”. O Moah é mais tradicional: “número errado, não sei de quem se trata”. O Duca é radical. Certa vez desafiou: “vem me cobrar aqui que te encho de porrada. Não mandei me darem crédito. Vão se queixar com o Malan” (foi no tempo do governo FHC).

O Urso é diferente. Trata-se de um cidadão responsável, integrado à sociedade, figura proeminente nos círculos intelectuais. O inferno, para ele, chama-se SPC/Serasa. Segundo o Moah, ganha bem (“uma baita bufunfa”), tem conta em vários bancos, uma penca de cartões de crédito e poderia levar uma vida de nababo, na sua ampla cobertura no centro de POA. Mas é um apaixonado contumaz. Quando a paixão acontece, torna-se extremamente atento aos desejos e necessidades de consumo do ser amado. Alma sensível, não sabe dizer não – o problema é que suas amadas geralmente são exigentes, sofisticadas e carentes de roupas, perfumes, celular, MP4 (“o 3 já está fora de moda, amor”) e outros acessórios indispensáveis para turbinar a formosura das deusas. Dizem que a origem do seu último crack financeiro foi o custo de implantes de silicone. Não pra ele, é claro.  O problema é que meu amigo não tem sorte e só se envolve com mulheres emocionalmente volúveis. Quando o crédito na praça se esgota, elas partem e ele fica com as faturas dos cartões de crédito e o coração partido. No fim, tudo acaba bem. Neste final de ano, por exemplo, deve embolsar uma bela bolada (salário vitaminado, gratificação nababesca, além de outros mimos monetários, de acordo com o Moah). É mais do que suficiente para pagar as dívidas e habilitá-lo a um novo amor.

Porém, nos períodos de vacas magras, o Urso sofre. E também se esconde. Simplesmente isola-se do mundo: não abre a porta da cobertura para ninguém. Só se comunica com o pessoal do jornal.

- Aposto que está todo borrado de medo – observou o Duca, cruel.

Defendi o camarada ausente:

- Não é isto. Ele é responsável, ao contrário de vocês, seus pândegos.

O Moah sentenciou:

- Viadagem, frescura, parece uma mãe - (muito tempo atrás quando a gente queria dizer que um cara era bunda mole - ou “mol”, de acordo com a gurizada de hoje - falava que era uma “mãe, mãezinha, mãezona”. Nunca soube a razão. Afinal, mãe é legal).

O talentoso editor de trancinhas tomou um gole do bourbon feito no Tennessee e complementou:

- Um dia destes quase enfiei o pé na porta do apartamento dele.

- Porra! – falei.

- De novo? – perguntou o Duca.

***

A explicação do Moah e a indagação do Duca  integram o segundo ponto de pauta do nosso encontro, que trata do tema Saúde. Como este post já está muito extenso e eu já enchi muito a paciência do amado leitorado, continuo outra hora. Talvez na quarta-feira.

***

Beijos, princesas. Abraços, cavalheiros.

Abaixo a ralé.

Boa semana para a nobreza. Brioches para todos nós.



Escrito por Jens às 17h42
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