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Toca do JENS


Presente de Natal

 

Ele chegou de madrugada. Não sei como entrou, pois o meu castelo não tem chaminé e a porta de entrada tem fechadura dupla além de uma grade de ferro. Acordei com a sua presença obesa sentada ao lado da cama.

- Socorro, o Velho Tataia vai me pegar! - falei no que pretendia ser um grito de horror, mas soou um fiapo de voz assustada.

Levei um catipirapo na orelha.

- Deixa de frescura. Sou eu, seu porra.

Olhei com atenção e o reconheci. Só então me dei conta que os foguetes estourando e os pipocos variados, que ouvia antes de adormecer não eram a ação de traficantes em guerra. Eram cidadãos do bem e do mal que comemoravam a chegada dele.

- Putz, pensei que fosse o Velho do Saco. Estás mudado. Cadê a touca e as roupas vermelhas?

Vestia bermuda e camisa floreadas e ostentava uma calvície pronunciada. O grande saco vermelho ainda o acompanhava.

- Com este calor? Só se fosse louco - falou cofiando a barba branca, que continuava a mesma. - Na verdade, deixei esta vida de lado - acrescentou.

- As crianças ainda te esperam - observei.

- A maioria não acredita mais em mim. Mesmo assim, estarei presente em espírito e dublês. Terceirizei o serviço. Ou melhor, aluguei a grife para uma multinacional chinesa.

- Legal. Estás rico?, supunho.

- Dá pra viver. Mas ainda faço umas visitinhas para alguns clientes especiais, como tu.

- Oba, trouxe presente pra mim - exultei, pousando um olhar gordo no saco.

- Trouxe, mas não está aqui. Levanta, preguiçoso.

Segui-o até à minha sala/escritório. O PC estava ligado. A tela exibia a página desativada da Toca.

- Ué, também te liga na internet? - comentei surpreso.

- Uma coisinha ali outra ali. Gosto de ler as tuas bobagens. Aliás, gostava, quando escrevias.

- É, era legal. - disse saudoso.

- Bem, este é o meu presente.

Não entendi. Ele explicou.

- Vais voltar a escrever as tuas besteiras no blog. Tu quer, eu quero e alguns dos teus amigos também querem. Portanto, permita-se, presenteie-se com algo que vai te dar prazer. A melhor coisa desta época, na verdade de todas as épocas, é o convívio com os amigos.

- É, pensando bem...

- Não tem que pensar merda nenhuma. Vais voltar a escrever. Está decidido. Amanhã vou conferir. Se o blog não estiver atualizado, mando meu primo, o Velho Tataia, falar contigo. À noite.

Ao ouvir o nome do algoz que me assombra desde a infância, concordei.

- Ok, você venceu.

- Ótimo ele disse.

Abriu o saco e, a seguir, destampou uma caixa de isopor atulhada de gelo e latinhas de cerveja. Me deu uma e abriu outra. Tirou dois charutos do bolso da camisa. Acendemos.

- Por acaso não terias uma mulher inflável escondida aí? - perguntei esperançoso. É o meu desejo secreto desde longa data.

Ele riu.

- Não tens vergonha?

- Não. Perdi em 1979, na festa do Chico D. e da Bete P. Foi por esta época do ano.

- Lembro. Também estive lá. Disfarçado, é claro. Lembra da Mariazinha?

- Claro! Garota inesquecível.

Soltou uma baforada e disse.

- Se te comportares bem no próximo ano, talvez a Judite venha. (Judite é o nome da mulher de borracha dos meus sonhos).

Brindamos.

- Feliz Natal, seu porra.

- Feliz Natal. Valeu o presente, velho safado.

***

Assim, voltei.

Beijos e abraços natalinos.



Escrito por Jens às 18h08
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